A REALIDADE ADULTA

MONICA

Existem milhares e milhares de nós, criadas de um modo tal, que nos impossibilita encarar a realidade adulta de que toca a nós, apenas a responsabilidade por nós mesmas! Podemos até verbalizar essa ideia mas, no íntimo, não a aceitamos. Tudo na forma de sermos educadas continha a mensagem de que seríamos parte de alguma outra pessoa, que seríamos protegidas, sustentadas, alimentadas pela felicidade conjugal até o dia de nossa morte. É claro que, uma a uma, descobrimos a mentira dessa promessa. As expectativas em relação a nós mudaram. Foi-nos dito que nossos velhos sonhos de infância eram débeis e ignóbeis, e que existiam coisas melhores a ambicionar: dinheiro, poder e a mais ilusória das condições, a liberdade. A capacidade de escolhermos o que faríamos de nossas vidas, como pensaríamos e a que daríamos importância. Liberdade é melhor que segurança, diziam-nos; a segurança aleija. Logo descobrimos contudo, que a liberdade assusta. Ela nos apresenta possibilidades para as quais não nos sentimos equipadas: promoções, responsabilidades, oportunidades de viajarmos sozinhas sem homens a nos conduzirem, oportunidades de fazermos amigos por nossa conta. Todo tipo de perspectivas rapidamente abriu-se as mulheres; juntamente com isso, porém, vieram novas exigências: que cresçamos e paremos de esconder-nos sob o manto paternalista daquele que escolhemos para representar o ente “mais forte”; que comecemos a basear nossas decisões em nossos próprios valores, e não nos de nossos maridos, pais ou professores. A liberdade requer que nos tornemos autênticas e fiéis para conosco. Aqui é que surge a dificuldade, repentinamente, quando não mais basta sermos “uma boa esposa”, ou “uma boa filha”, ou “uma boa aluna”. Pois ao iniciarmos o processo de separar de nós as figuras de autoridade a fim de nos tornarmos autônomas, descobrimos que os valores que julgávamos serem nossos não o são. Por fim a hora da verdade emerge: “Realmente não tenho quaisquer convicções próprias. Realmente não sei no que acreditar”. A necessidade de dependência é normal tanto em homens quanto em mulheres. Ocorre que, desde pequenas as mulheres são incentivadas a uma dependência doentia. Qualquer mulher que se auto-analise sabe quão destreinada foi para sentir-se confiante perante a ideia de cuidar de si própria, afirmar-se como pessoa e defender-se. A auto-suficiência não é um bem agraciado aos homens pela natureza, ela é um produto de aprendizagem e treino. Os homens são educados para a independência desde o dia de seu nascimento. Do mesmo modo, as mulheres são ensinadas a crer que, algum dia, serão salvas. Podemos aventurar-nos a viver por nossa conta por algum tempo. Podemos sair de casa, trabalhar, viajar, podemos até ganhar muito dinheiro. Porém, está o conto de fadas, dizendo: aguente firme, e um dia alguém vira salvá-la da ansiedade causada pela vida. O desejo de salvação, que nem sempre o reconhecemos tão claramente, mas existe em todas nós, emergindo quando menos se espera, permeando nossos sonhos, abafando nossas ambições. As mulheres hoje se acham entre o jogo cruzado de velhas e radicalmente novas ideias sociais; a verdade porém é que não podemos mais refugiar-nos no antigo “papel”. Ele não é funcional, nem uma opção verdadeira. Podemos crer que o seja, podemos desejar que o seja, mas não é. O príncipe encantado desapareceu. Na realidade, em termos de que se requer para a sobrevivência no mundo moderno, o homem não é mais forte, mais inteligente ou mais corajoso do que nós mulheres. Ele realmente só tem mais experiência!

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