PREFEITO DE MARICÁ E PROCESSADO POR MORTES PELO MPF

Washington Quaquá é acusado por expor aeronaves a perigo, o que causou duas vítimas fatais.

ministerio publico_divulgaçãoPelo crime de expor aviões a perigo, por ao menos quatro vezes, foi oferecido à Justiça uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Quaquá, o atual prefeito de Maricá e a Lourival Casula Filho, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. A ação dos acusados na manutenção do aeródromo de Maricá comprometeu a segurança da aeronave e tripulantes, o que acabou resultando na morte de duas pessoas em 2013. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) decidirá se acolhe a ação, dando início ao processo (nº 20140201008875-7).

A Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2) pediu que a fixação da pena por esse crime leve em consideração a morte de um piloto e seu aluno. Caso aceito, haverá um acréscimo à pena entre dois e cinco anos de prisão, prevista para a exposição de aviões a risco de dano concreto (Código Penal, art. 261).

Há aproximadamente 3 anos, o bimotor tripulado por duas pessoas,  o instrutor de voo Adelmo Louzada de Souza e o juiz federal Carlos Alfredo Flores da Cunha, teve de arremeter por não conseguir pousar com segurança no aeródromo, então interditado por viaturas da guarda municipal sob ordens de Quaquá e Casulo, resultando na morte dos tripulantes. A alegação oficial era impedir a continuidade da atuação de escolas de treinamento e empresas de manutenção de aviões. Outras ocorrências e acidentes aéreos sem fatalidades foram registrados no aeródromo, cuja exploração foi transferida ao Município em 2012 a partir de convênio com a União pedido pelo atual prefeito. O aeródromo acabou abandonado, sem estrutura mínima de segurança para seu pleno funcionamento, após a interdição ao seu acesso.

“Os denunciados não só orientaram os agentes municipais a criarem embaraços para os pilotos que insistiam em realizar manobras no aeroporto de Maricá, como possuíam pleno conhecimento de sua atuação, já que diversos foram os relatos feitos, não só pelas vítimas, como pelos próprios órgãos de fiscalização e regulação do setor, como a Anac”, afirma o procurador regional da República Carlos Aguiar, coordenador do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção da PRR2. “Os servidores da Anac, a propósito, chegaram a ser impedidos de entrar no aeródromo, demonstrando a truculência e descompromisso com a segurança pública.”

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